Relembrando a noite de 22 de Janeiro de 2009 com o Pedro Barroso, uma das melhores noites das Conversas da Cabana, com casa atolada até á esplanada. A extraordinária peça jornalística da TV4 Semanas, é prova disso, para todos os que não tiveram presentes. Deliciem-se!
Cabana dos Parodiantes, um café repleto de luz, onde cada cliente que entra é uma lampadinha incandescente !!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
FRAGMENTAÇAO DO VAZIO - DESENHOS EM AGUARELA NA CABANA DE RAFAEL ANTUNES

A montra do estabelecimento é invadida violentamente com os destroços de uma espécie de esqueleto de uma nave, fragmentos esses que saem rente ao tecto, em direcção ao espaço de exposição, perto dos WC.

No total são 49 desenhos, que correspondem a 49 abstracções linguísticas de um ensaio poético, ínfima parte de um projecto grandioso em progressão.
O jovem artista propõe-se dar-nos " uma visão sobre o fragmento que viaja no espaço, sem nunca partir, o estilhaço absorvido pelo vazio que se articula na linguagem explodida amparada no retorno. A intercepção de partículas
errantes regurgitadas para si, o desenlace híbrido que habita na dinâmica da palavra mental ".
O jovem artista propõe-se dar-nos " uma visão sobre o fragmento que viaja no espaço, sem nunca partir, o estilhaço absorvido pelo vazio que se articula na linguagem explodida amparada no retorno. A intercepção de partículas
errantes regurgitadas para si, o desenlace híbrido que habita na dinâmica da palavra mental ".
Atreva-se e enfrente esta visão original do vazio, na Cabana dos Parodiantes até 10 de Março de 2010.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
CANOAGEM EM SALVATERRA SEM BARRETES ?

Durante os campeonatos da canoagem, o Clube Naútico de Salvaterra recebeu numa das provas, na Vala Real, em Salvaterra de Magos, os atletas Elio Henriques, Campeão Mundial de Maratonas 2009, em Canoagem e Beatriz Gomes, Campeã Mundial de Maratonas 2009, em Canoagem, assim como Artur Pereira, Construtor das canoas SIPRE, que são as canoas que o CNSM usa. A Cabana dos Parodiantes não podia deixar de estar presente neste especial evento desportivo, oferecendo a cada um deles, um não menos especial pacote de Barretes. Além da simpatia com que foram recebidos pelo CNSM, que melhor maneira de serem brindados na nossa linda terra ribatejana, senão com os nossos Barretes ?
sábado, 26 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
BARRETES NA INAUGURAÇÃO DO SALÃO DE DESENHO " À CRISE " NA GALERIA SOPRO.

A Cabana dos Parodiantes patrocinou pela segunda vez um evento organizada pela NADANAMANGA.Os famosos BARRETES provocaram entusiasmo junto dos convidadosque estavam presentes na galeria SOPRO. Trata-se de uma exposição intitulada " À Crise ", composta por desenhos de vários artistas em começo de carreira. São eles:Martinha Maia, Romeu Gonçalves, LúciaPrancha, Manuel Santos Maia, Paulo Mendes, Lara Torres com Ana Santos,Francisco Sousa Lobo, Catarina Viana, Carla Cruz, Evgenia Tabakova,The Hut Project, Patrick Coyle, Mikael Larsson, Francesca Anfossi,Carlos Noronha Feio, Sara Nunes Fernandes, Adam Latham, GiorgioSadotti, Bruno Borges, Patricia Sousa, Soraya Vasconcelos, AndréAlves, Pedro Alves, Miguelangelo Veiga, Ana Guedes, Paula Prates,Manuel Furtado dos Santos, Ana Sério, Mara Castilho, João FerroMartins, Fernando Mesquita.A galeria SOPRO encontra-se na rua das Fontainhas, nº40, em Alcantara e afirma-se como um projecto de arte contemporânea.A mostra estará acessível ao público entre 10 de Dezembro de 2009 e 9 de Janeiro de 2010.Os Barretes da Cabana dos Parodiantes é que não vão estar durante mais tempo, pois comeram-nos todos no dia da inauguração.Que novidade!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
COMEÇOU A ÉPOCA REAL DO BOLO REI DA CABANA!

A partir do feriado de dia 8 de Dezembro, a Cabana dos Parodiantes inicia o fabrico do seu tradicional Bolo Rei.
A sua receita é quase tão antiga como o próprio Pai Natal e na região não existe melhor, são os clientes que não se cansam de o dizer.
No feriado dia 8, e nos nos fins de semana até ao fim de Janeiro de 2010, fabricamos o Bolo Rei, assim como as ante-vésperas e vésperas do dia de Natal e do fim de ano.
Nunca é tarde para encomendar o Bolo Rei da Cabana. A sua mesa de Natal vai ficar decerto mais enriquecida.
PATILHAS, BEBÉ E VENTOINHA EM 1969 NO ESTUDIO DE GRAVAÇÃO.

A revista de televisão e rádio " Nova Antena ", na edição número dez, do ano de 1969, dedica a primeira página na secção da programação, aos Parodiantes de Lisboa.
Na foto podemos ver, da esquerda para a direita, José Andrade (inspector Patilhas), Maria Helena Silva (menina Bebé) e Ruy Andrade (inspector Ventoinha), no estudio, gravando mais um episódio do fabuloso RÁDIO CRIME, patrocinado pela Fábrica de Chaves do Areeiro. Debaixo da foto pode-se ler:
- Desde há muito, quer uma formidável equipa radiofónica, põe ao serviço do público ouvinte, uma série de rubricas onde o humor anda de mãos dadas com a boa disposição. Os "Parodiantes de Lisboa", pois é deles que falamos, habituaram já a sua camada de admiradores a um trabalho radiofónico que lhes merece os maiores elogios. A nossa programação de hoje, é antecedida, portanto, de um clima de boa disposição, com uma imagem de gravação d emais um episódio do "Patilhas e Ventoinha", seus nomes? Pois será necessário referenciar que se trata dos mais famosos detectives da actualidade, ladeando a sua «exemplar» secretária, menina Bebé?
terça-feira, 10 de novembro de 2009
REALMENTE FOI NOITE DE BORGA!
Surpreendente pelos temas tratados,
Surpreendente pela forma como o padre Borga foi frontal,
Surpreendente pela disponibilidade de todos,
Surpreendente por ele ter cantado e tocado o padre Fanhais.
Dentro em breve teremos a crónica com tudo o que se passou nessa noite.
Fiquem com as imagens.
sábado, 7 de novembro de 2009
FERNANDO GALRITO - HÁ NOITES ASSIM... E QUE ANIMAÇÃO !
A Cabana dos Parodiantes encheu e rejubilou com a presença de Fernando Galrito, em mais umas “Conversas da Cabana”, na sua 37ª edição.
O galrito sabe mesmo do que fala e a sua palestra, dividida em quatro segmentos, foi um desfilar de experiência feita de uma vida inteira dedicada aos filmes de animação.
Com a sala cheia de amigos de longa data, que têm acompanhado a sua evolução, o Galrito contou como esta aventura da animação começou:
Terá sido por volta dos 14 anos e os grandes responsáveis foram o senhor Gaspar e a esposa, na sua biblioteca fixa, mesmo em frente á rodoviária de Samora Correia. Segundo ele, este casal terá sido o responsável pela educação artística e por ter incutido saudáveis hábitos de leitura em várias gerações pós 25 de Abril. Falou das suas primeiras experiências e da maneira como a pobreza de meios aguça o engenho e a criatividade. Aquele louco fim-de-semana em Samora, com mais dois amigos, em que alugaram uma máquina de montar imagens á empresa Cinequanom por 500 escudos (quantia grande naquela altura para 3 jovens). Foram 3 dias e 3 noites, montando centenas de imagens, aproveitando ao máximo aquela preciosa máquina. Terminado o filme, logo de manhã, apanharam o autocarro para Lisboa, afim de devolver o mecanismo e pagar a quantia combinada. O director da empresa, surpreendido com a limpeza que esta sofreu, não teve coragem de receber o dinheiro. É que a máquina estava num estado lastimável.
O convidado apresentou vários filmes da sua autoria, que foram dignamente visionados em ecran gigante, com uma definição que fazia corar de vergonha a maioria dos nosso televisores. Tudo isto, graças á generosidade da Escola Profissional de Salvaterra de Magos, que sempre nos cede todo o material multimédia. As curtas sucederam-se, cronológicamente, ao longo das duas horas e meia, sempre antecedidas com uma explicação sobre as condições e motivações das obras em questão. Entre vários, destaco os seguintes filmes:
• Evasão-invasão, 1986, 3 min. animação, 16 mm – Premio Cinanima, Juvecine, Jovens Criadores, Badalona, Angers, Bourg-en-Bresse, Pau
• A Zanga da Lua, 2002, 25 min. de animação e diaporama para planetário, Betacam SP e DV (um dos filmes portugueses com mais espectadores em sala – mais de 400 000 espectadores)
• Com uma Sombra na Alma, 2005, 10 min., animação, Betacam Digital – Grande Premio Ovarvídeo, Premio do Júri Salamanca, Onda Curta (Porto), Zero em Comportamento (Lisboa) presente em competição em mais de 40 festivais internacionais.
O galrito sabe mesmo do que fala e a sua palestra, dividida em quatro segmentos, foi um desfilar de experiência feita de uma vida inteira dedicada aos filmes de animação.
Com a sala cheia de amigos de longa data, que têm acompanhado a sua evolução, o Galrito contou como esta aventura da animação começou:
Terá sido por volta dos 14 anos e os grandes responsáveis foram o senhor Gaspar e a esposa, na sua biblioteca fixa, mesmo em frente á rodoviária de Samora Correia. Segundo ele, este casal terá sido o responsável pela educação artística e por ter incutido saudáveis hábitos de leitura em várias gerações pós 25 de Abril. Falou das suas primeiras experiências e da maneira como a pobreza de meios aguça o engenho e a criatividade. Aquele louco fim-de-semana em Samora, com mais dois amigos, em que alugaram uma máquina de montar imagens á empresa Cinequanom por 500 escudos (quantia grande naquela altura para 3 jovens). Foram 3 dias e 3 noites, montando centenas de imagens, aproveitando ao máximo aquela preciosa máquina. Terminado o filme, logo de manhã, apanharam o autocarro para Lisboa, afim de devolver o mecanismo e pagar a quantia combinada. O director da empresa, surpreendido com a limpeza que esta sofreu, não teve coragem de receber o dinheiro. É que a máquina estava num estado lastimável.
O convidado apresentou vários filmes da sua autoria, que foram dignamente visionados em ecran gigante, com uma definição que fazia corar de vergonha a maioria dos nosso televisores. Tudo isto, graças á generosidade da Escola Profissional de Salvaterra de Magos, que sempre nos cede todo o material multimédia. As curtas sucederam-se, cronológicamente, ao longo das duas horas e meia, sempre antecedidas com uma explicação sobre as condições e motivações das obras em questão. Entre vários, destaco os seguintes filmes:
• Evasão-invasão, 1986, 3 min. animação, 16 mm – Premio Cinanima, Juvecine, Jovens Criadores, Badalona, Angers, Bourg-en-Bresse, Pau
• A Zanga da Lua, 2002, 25 min. de animação e diaporama para planetário, Betacam SP e DV (um dos filmes portugueses com mais espectadores em sala – mais de 400 000 espectadores)
• Com uma Sombra na Alma, 2005, 10 min., animação, Betacam Digital – Grande Premio Ovarvídeo, Premio do Júri Salamanca, Onda Curta (Porto), Zero em Comportamento (Lisboa) presente em competição em mais de 40 festivais internacionais.
Fernando Galrito confessou a sua admiração crescente pelo país onde nasceu, sendo ele um viajente incansável por razões profissionais. Segundo ele, existe uma grande curiosidade por parte dos países mais evoluidos, em relação ao cinema e animação que se produz pelos artistas portugueses. Qualquer trabalho português selecionado para os principais festivais do mundo, é recebido com salas cheias e muitos têm sido premiados.
Com um brilho nos olhos, falou-nos das suas últimas experiências em que explorou a transdisciplinariedade (música, dança, teatro ). Escolheu a peça Ponto TXT, realizada em 2007, com 30 minutos de duração (versão em progressão construtiva), peça generativa, interactiva e transdisciplinar entre imagem, live motion capture, performing art and live music.
Tratou-se do último filme apresentado por Galrito e, porventura, aquele que terá causado mais espanto e admiração, pois é sem dúvida, de uma experiência de vanguarda, que envolve engenheiros de programação, performers, músicos, luminotécnicos, cenógrafos, encenadores, que se encontra em aberto e em transformação, em cada actuação realizada.
A cabana dos Parodiantes, mais uma vez, transformou-se numa sala de cinema. A última, foi em 2007, com a presença de 3 jovens realizadores promissores a apresentarem curtas de cinema premiados em festivais, de facto, uma das noites mais marcantes que pudemos presenciar.
A polivalência da Cabana, ao longo de mais de sessenta anos, tem provado que um café pode ser um espaço aberto a qualquer forma de cultura, convocando as raizes e as vivências de todos os que nele entrem, porque cada pessoa, consciente ou inconscientemente, deixa a sua memória.
Deixo-vos parte do impressionante currículo de Fernando Galrito:
terça-feira, 3 de novembro de 2009
ANTONIO SERGIO - DESAPARECEU O SENHOR RADIO INDEPENDENTE !
terça-feira, 27 de outubro de 2009
BORGA NA CABANA, COM O PADRE BORGA !

Uma noite de Borga na Cabana, só mesmo com o famoso padre Borga.
Nesta 5ª feira, dia 5 de Outubro, pelas 22 horas, vamos receber na Cabana dos Parodiantes um comunicador por excelência e um entertainer de multidões. Um sacerdote que, pela pela palavra e pelo canto tem conquistado todos os que se cruzam com ele nas igrejas e nas salas de espectáculos, já para não falar da televisão.
Graças á sua irreverência e sentido de humor, a mensagem de Jesus Cristo tem chegado muito mais longe.
Vamos tentar perceber, através do testemunho do padre Borga, o que é ser sacerdote no século XXI.
Venha cêdo para arranjar mesa, pois decerto a Cabana vai esgotar.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
PATILHAS E VENTOINHA NO CINEMA

Agora que estamos em maré de cinema, pois ainda há uma semana tivemos o Fernando Galrito na Cabana dos Parodiantes a apresentar filmes de animação premiados por essa Europa fora, gostava de partilhar convosco, um projecto dos Parodiantes, nesta área, nos idos anos sessenta, que infelizmente não chegou a concretizar-se.
Recorrendo aos arquivos da minha familia, descobri num semanário intitulado "TV", propriedade da Radio Televisão Portuguesa, datado de 15 de Junho de 1967, com o numeo 216, uma noticia de página inteira com o título: " Patilhas e Ventoinha no cinema ". Nesse artigo, escrito por Antero Antunes, este realça os vinte anos de existência, nesse ano, dos Parodiantes de Lisboa, e a extrema popularidade que estes apresentam pelo país inteiro, colónias ultramarinas e outros países onde residem e trabalham emigrantes portugueses. Esta fama tem sido perpetuada nas saídas que os Parodiantes fazem questão de fazer, nas inaugurações de colectividades, espectáculos de beneficiência e a recente aparição (à epoca), dos famosos inspectores particulares (á parte)Patilhas e Ventoinha no programa de televisão do não menos famoso inspector Varatojo (falecido o ano passado).
Antero, escreveu ainda, que esta onda merecia um aproveitamento por parte do cinema, visto as histórias hilariantes dos detectives, pela sua riqueza de situações, prestarem-se efectivamente a essa forma de arte.
Segundo o escriba, os Parodiantes terão-se deslocado á cidade do Porto, para participarem com êxito num programa de variedades. No parque de campismo de Angeiras, onde Ruy e Zé Andrade se encontravam para uma alegre petiscada com os orgãos de informação, a equipa de produções Perdigão Queiroga aproveitou para filmar algumas cenas em película, naquele que seria uma nova aventura dos Parodiantes.
Não existem dados que esse filme tivesse sido terminado, nem existe conhecimento do paradeiro dessas cenas captadas no parque de campismo de Angeiras, perto do Porto.
Tratou-se de mais uma ideia original que se desperdiçou no limbo do cinema português.
Fiquem então com a único registo dessa tarde bem passada.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
CINEMA DE ANIMAÇÃO NA CABANA

As noites de tertúlia na Cabana dos Parodiantes já começam a fazer parte das vidas de quem tem vindo a assistir, nos últimos 4 anos, autênticos flashs dourados dos melhores momentos.
Esta noite que aí vem, transporta-nos para uma sala de cinema e convida-nos a visionarmos filmes de animação de Fernando Galrito e de alunos seus, em ecrãn gigante.
O Fernando Galrito é actualmente professor na Escola de Artes e Design de Caldas da Rainha e director do Festival de Animação de Lisboa-MONSTRA.
O Fernando realizou, produziu e foi colaborador nos últimos 30 anos, dos melhores filmes de animação que se têm feito em Portugal, filmes esses que têm sido premiados e seguidos pelos seus pares em todo o mundo.
Faltar á 37ª edição das Conversas da Cabana, na próxima 5ª feira, pelas 22 horas será tão grave como não votar no póximo domingo.
Eu cá vou eh eh eh eh !
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
FANHA, GRANDE, NA CABANA !!
Então não é que este grande Fanha veio com vontade de contar histórias ?
Oh que histórias, daquelas feitas de experiências de voluntariado e de camaradagem.
Foi assim que José Fanha começou a noite, com a história do sujeito que lhe telefonou, pedindo-lhe que fosse a sua casa dar uma vista de olhos a um livro que iria publicar brevemente. Claro que foi, não sem antes se debater com a sua consciência:
- Não sou capaz de dizer que não...! não vou ser capaz de dizer a verdade com pena do individuo...! vou apanhar uma valente seca...!(pensou).
O que lhe esperava foi algo que o surpreendeu. Encontrou um idoso debilitado pela idade, já sem forças para sair de casa, que lhe apresentou um manuscrito com centenas e centenas da charadas. Tratava-se de um coleccionador e criador de charadas de todos os tipos, umas mais interessantes que outras, mas eram charadas, de coisa que vão rareando nos dias que correm. Aquilo que poderia ser uma maçada, revelou-se uma experiência riquíssima para ambos.
Alguém lhe perguntou como ganha ele a sua vidinha, pergunta envenenada, num país que não tem lugar para poetas e dizedores de poesia e que nem sabe para que serve isso. Após um sorriso, Fanha contou que, apesar da sua formação de arquitecto, encontrou na poesia e na sua expressividade uma maneira subtil de interagir com os outros, publicando a sua poesia e a sua prosa e espalhando aos sete ventos a dos outros autores, por sinal amigos seus. Contou que apresentou ao Ministério da Cultura da época, um projecto que consistia em dinamizar as escolas e as bibliotecas de Portugal com a boa nova da palavra, incitando os públicos mais novos para o gosto da leitura. Esse projecto foi-lhe negado, mas ele acabaria por o realizar, aliás continua a realizá-lo a prova disso, foi a sua presença na Cabana dos parodiantes, nesta noite de 24 de Setembro.
Foi na Cãmara de Sintra que encontrou a disponibilidade e a sensibilidade para essa aventura, na qual tem vindo a trabalhar em todo o concelho e se sente realizado.
A questão da memória veio á baila por causa do advento da internet. Segundo José Fanha, a revolução democrática proporcionada pela internet, vem abrir todo um mundo de possibilidades e permitir que toda a gente no planeta possa escrever sobre tudo e mais alguma coisa. Essa abertura permite tambêm que se escreva as maiores barbaridades possíveis e não existe um organismo que faça as devidas rectificações. Apontou o exemplo da wikipédia, cujas informações biográficas sobre pessoas que se distinguiram pela sua excelência, aparecem erradas ou imprecisas.
Que memória estaremos a construir para as gerações vindouras ?. Foi a pergunta que José Fanha deixou ficar no ar.
Houve oportunidade de conhecermos o José Fanha dizedor, aquele que nos encanta com a poesia dita, e que bem que ele a diz.
Escolheu várias poesias para esta noite de Conversas da Cabana, na qual destaco o texto de António Lobo Antunes, sempre irreverente, imortalizado em canção por Vitorino - " Todos Os Homens São Maricas Quando Estão Com Gripe ". Não podia vir mais a propósito, agora que impera a paranoia da Gripe A. A terminar, José Fanha contou-nos a sua divertida história " As gajas são Lixadas ", do livro " Diário Inventado de um Menino Já Crescido ", na qual dou o prazer, a quem se queira demorar mais um pouco, de ler no final desta crónica.
Por falar em memória, O Fanha mesmo, mesmo no fim, perguntou aos presentes:
- para quando um museu dos Parodiantes de Lisboa em Salvaterra de Magos? É que os gajos nasceram em Salvaterra, porra!
As gajas são lixadas
' O meu amigo Helder levou ontem um medíocre da nossa professora e,quando chegou ao recreio põs-me uma mão no ombro e disse-me com cara de quem sabe muito bem do que é que está a falar:
-Sabes o que eu te digo, pá?As gajas são lixadas!
Fiquei-me com aquela.Se o Helder dizia é porque devia ser verdade.Eu é que andava distraído e nunca tinha pensado a fundo nesses assuntos relacionados com gajas.Mas pensando bem, o Helder tinha toda a razão.Verdade,verdadinha:'As fajas são lixadas.'
Bastava lembrar-me da Armandinha que, em vez de me dar os cromos das pastilhas elásticas, preferia deitá-los para o caixote do lixo só para me irritar.E da Célia, a quem pedi namoro e se desatou a rir.E da Joana que todos os dias me dizia que eu tinha cara de sapo engasgado.
O Helder tinha mesmo razão.Quando fui para casa, ia a repetir cá para comigo:'As gajas são lixadas!As gajas são mesmo lixadas!'Olhava para cada mulher que passava por mim na rua e pensava:'Tu és uma gaja lixada.'Vinha outra...'Tu também és uma gaja lixada!'
Cheguei a casa a repetir baixinho-As gajas são lixadas...-Que que vens a dizer, filho?-Perguntou-me a minha avó, e eu nada, nadinha...Pus-me a pensar.A minha avó não era lixada.E a minha mãe também não.Nem a minha madrinha.Muito menos a Rita das trancinhas do 3º esq. que não era mesmo nada lixada.
Mas não havia dúvidas.O Helder tinha toda a razão.As gajas são lixadas.As gajas são mesmo lixadas.O problema é que, entre as mulheres que eu conhecia, não tinha a sorte de conhecer nenhuma gaja.'
In, Diário inventado de um menino já crescido, Gailivro, 2007
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FUTURA BIBLIOTECCA DA CABANA
Agora a sério. Mesmo, mesmo, mesmo a terminar a tertúlia na cabana, no passado dia 24de Setembro, José Fanha fez questão de oferecer um livro de poesia, uma antologia da poesia escrita no feminino, á nossa Cabana dos Parodintes, para que seja o primeiro livro da sua futura biblioteca. Bem Hajas! Excelente ideia Fanha!
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