segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006





A Avril


Leonel d’Azevedo
Avrilmaníaco
Fora da toca

Pessoas

A floresta é densa e escura. É um lugar onde se coloca aquilo que não se utiliza, que não serve os desígnios do socialmente correcto. Ao mesmo tempo é um reservatório de descobertas para aqueles que tiverem coragem e humildade de as procurar.
Na floresta, entre os pinheiros, existe uma cova. Dentro dela, nas suas negras profundezas, está um ser ferido, abandonado, que por gemidos comunica com o exterior.
Pessoas há que passam e, assustadas, se afastam sem compreensão, outras, com alguma curiosidade, espreitam mas por indiferença retiram-se igualmente, outras perscrutam e embora não tendo coragem para penetrar no abismo procuram quem a tenha de forma a que o socorro chegue a todos.
O ideal, o outro lado, a nossa realização, passaria pela aventura da passagem em segurança para a descoberta de que o outro e nós formamos o mesmo ser. O esquelético e esfomeado é o mesmo que o aventureiro e bonacheirão, tudo é uno na sua duplicidade.
É evidente que no estado actual da humanidade apenas a alguns seja entregue tamanha responsabilidade. Ao ser socorrido curam-se as feridas e a fome até chegar o momento de nos reconhecermos nele e o amarmos na plenitude.

Ismael Bento da Cruz

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Pr’á Avril

Tão doce,

Tão Bela.

Sublime desejo

De onde vens?

Segredo dos Segredos,

És um só,

Amor.

Oh! Coração perdido

Em chamas.

Tão perto,

Tão longe.

Assim te mostras

Inacessível Substância

Ao Ser.

Tão doce,

Tão Bela.

Onde estás,

Quando te procuro?

Leonel d’Azevedo

(Avrilmaníaco)

Aquelas Gajas

Xô.

Não tenho sossego no emprego. As gajas não me largam.

Xô.

Xô.

Xô.

Delas é o mundo. Tem de ser feita a sua vontade. Quando um gajo quer é só negas.

E agora como vai ser?

Se eu pudesse isolava-me com um filmezinho à maneira e só isso me bastava.

Mas não dá. É frustração a mais…

O pior é o espicaçar diário a que um gajo é sujeito, pá. Tem dó…

Só uma, está bem?

Xô.

Manuel Catana

Por um escaravelho

A noite ia longa e por detrás da língua aparece o biscoito que aquela lambisgóia não quis e escondeu para o perder de vista. Por isso está tão bafienta, ninguém lhe pega.

A casinha é verde e não pode ser avistada. Tudo foi em vão e a dor que sinto é oportuna para descobrir onde pus o meu canivete: finalmente apareceu.

Como chegar ao cimo daquela alta montanha se nem o degrau e o ouvido consigo ter? A guerra é pequena para tamanha vontade de vencer. Luto com tudo o que aparece pela frente, por detrás, pelos lados, por cima e por baixo, por dentro e por fora. É a aniquilação.

Ando, nada. Corro, nada. Pedalo, nada. Galopo, nada. Coxeio, igualmente nada para além da dor no joelho.

Tenho vontade de desistir, mas não o faço. Perdi tudo naquele dia na praia de Londres quando aquele carapau me disse que não fazia sentido procurar a pedra que encerra todos os mistérios e fiquei descalço em cima das brasas.

E o meu balancete não fecha a conta corrente.

Francis MacDuck

Contabilista

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

À espera de Godot!


Pela enésima vez, ela aperaltou-se, saiu de casa e dirigiu-se ao café como sempre fez.
Pela enésima primeira vez, ela entrou no café, saudando as mesmas pessoas do mesmo modo.
Pela enésima segunda vez, ela dirigiu-se à mesma mesa e sentou-se no mesmo lugar.
Pela enésima terceira vez, ela fez o mesmo pedido ao mesmo empregado no mesmo tom de voz.
Pela enésima quarta vez, ela derramou o açúcar na chávena do mesmo jeito de sempre.
Pela enésima quinta vez, ela sorveu o café, com o mesmo prazer de sempre.
Pela enésima sexta vez, ela deixou na chávena, a mesma marca de baton.
Pela enésima sétima vez, ela acendeu um cigarro da marca habitual com o mesmo Zippo.
Pela enésima oitava vez, ela travou, inalou e expulsou o fumo da mesma maneira de sempre.
Pela enésima nona vez, ela olhou em volta como sempre o havia feito e viu as mesmas caras.
Pela enésima décima vez, ela constatou que nada ia acontecer... Como Sempre...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Fora da toca
Prólogo


Um deserto sem fim. Seco. Árido. Apenas terra granulada e rochas se avistam. Muito raramente nota-se um cacto ou um fio de água. A terra-mãe impõe-se num relevo agreste, áspero e cru, pontuando-se muitas vezes em desfiladeiros e penhascos.
Num cenário assim a vida caracteriza-se pela sobrevivência. Tudo o que seja passível de digestão é consumido, sendo muitas vezes necessário pôr o dente em coisas que, noutras situações, nos levariam a desviar o olhar.
Duas personagens circulam neste ambiente. Ou será apenas uma? Passemos à sua caracterização. Uma é escanzelada, com mais tendões do que músculos a aparecerem por debaixo da pele, num corpo marcado pela fome. Olhos encovados em rosto afilado onde o nariz se salienta. É solitária, como se tivesse sido abandonada, posta à margem pelos outros ou se tivesse desviado no seu percurso para zonas mais “desfavorecidas”. A outra, como uma miragem, é o alimento há muito desejado, aparece, aguça o apetite e afasta-se rapidamente para um ponto inatingível. É ágil e tem como principal divertimento despertar a atenção da primeira levando-a a persegui-la infindavelmente. Por um lado é a razão da sua sobrevivência, por outro mantém-na na ilusão de que algum dia a conseguirá obter/alcançar. E é com este jogo que a vida se manifesta por estas regiões.
No nosso mundo as coisas não são muito diferentes: a luta diária pelo direito a existir é a característica dominante das nossas acções. As situações extremas vão-se generalizando cada vez mais, as ameaças à existência e a devastação da natureza são uma constante.
Exige-se responsabilização pessoal. O respeito pelo outro é essencial (mesmo egoisticamente: dele depende o nosso equilíbrio emocional).



Ismael Bento da Cruz

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Amor e uma Cabana ( a dos Parodiantes)

Amor e uma Cabana ( a dos Parodiantes)
também já cá estamos,
mas isto está com um ar muito sério.
façam o caos, senão vamos embora.
assina
JÚLIO E CLEÓPATRA

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Homenagem a Rui Andrade

"Morreu o último dos Parodiantes de Lisboa
Rui Andrade, o último dos Parodiantes de Lisboa morreu, esta terça-feira, aos 84 anos. No Rádio Clube Português, juntamente com o seu irmão, deram voz ao «Graça com Todos», onde ficaram conhecidos pela dupla de detectives «Patilhas e Ventoinha».
( 18:52 / 24 de Janeiro 06 )
Rui Andrade morreu, esta manhã, no Hospital de Santa Maria, depois de ter sido vítima de um acidente vascular cerebal no sábado.O funeral do último dos Paradiantes de Lisboa realiza-se quarta-feira, às 10:00, para o cemitério da paróquia de Santa Joana, em Alvalade. Em 1947, Rui Andrade e o seu irmão, José Andrade, criaram os Parodiantes de de Lisboa.No Rádio Clube Português (RCP) davam voz ao «Graça com Todos», o programa que ficou no ar durante 50 anos, e que chegou a Macau, Austrália, Timor e Angola .Rui e José Andrade formaram a mais famosa dupla de detectives, com o nome «Patilhas e Ventoinha».Ouvido pela TSF, o ex-jornalista do antigo RCP, Luís Filipe Costa, actualmente realizador de televisão, lembrou os irmãos Andrade, sobretudo, no papel da dupla de detectives.«Recordo o Rui e o José como indivíduos que cortaram a direito num terreno que nunca tinha sido explorado em Portugal, ou seja, o humorismo radiofónico num meio extremamnete difícil», disse, acrescentando que «eles deliciavam com as peripécias do «Ventoinha e do Patilhas».Também o jornalista António Jorge Branco lembrou o silêncio que se fazia sentir em sua casa, em Angola, para escutar os Parodiantes.«Se bem me recordo era o Rádio Clube de Sá da Bandeira que fazia essas tranmissões. O 'Graça com Todos' era transmitido à hora do almoço e, mal eles começavam, as conversas em minha casa acabavam para ouvirmos as aventuras do 'Patilhas e Ventoinha'», afirmou.António Jorge Branco disse ainda que Rui e José Andrade «utilizavam estilos e estigmas orais que as pessoas passaram a utilizar na rua», sublinhando que «tinham um modo de fazer graça muito inteligente e com muita ironia escondida»."


in TSF, 24 janeiro 2006

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Salvaterra de Magos Hoje ficou mais pobre!





Parodiante Rui Andrade criou o mais duradouro programa de rádio

Lisboa, 24 Jan (Lusa) - Rui Andrade, que morreu hoje, aos 84 anos, fazia parte da equipa que, a 18 de Março de 1947, fez nascer Os Parodiantes de Lisboa, que criaram o programa com maior longevidade na rádio portuguesa.

O grupo - constituído pelos irmãos Rui e José Andrade, e que contava ainda com Eduardo Ferro Rodrigues, Manuel Puga, Mário Ceia, Mário de Meneses Santos, Benjamim Veludo e Santos Fernando - começou com o programa "Parada da Paródia", na Rádio Peninsular.
Seguiu-se o lançamento de novos programas, ainda nos Emissores Associados de Lisboa, e nasceu o "Graça com Todos", no Rádio Clube Português, que ficou "no ar" durante 50 anos, até 1997, ano em que Rui Andrade decidiu terminar com a actividade dos Parodiantes de Lisboa.
Segundo o filho, João Severino, o "Graça com Todos" teve "um tempo recorde de permanência na rádio, chegando o programa a ser transmitido para Angola, Moçambique, Timor, Macau e Austrália".
Para assegurar esse e outros programas, Rui Andrade "escrevia cerca de duas e três horas diárias, tendo sido considerado pela imprensa brasileira, em 1994, como o melhor escritor de humor da Europa", contou ainda João Severino à agência Lusa.
Os Parodiantes de Lisboa deixaram ainda a sua assinatura em programas radiofónicos como "Vira o Disco", "Radionovela", "Teatro Trágico", "Entre as Dez e as Onze" e "PBX", este último marcante de uma nova época dos programas da noite na Rádio Renascença.
Rui Andrade dedicou-se ainda à escrita de textos para o teatro de revista, sendo a mais conhecida delas "Ri-te, Ri-te", com Camilo de Oliveira e Florbela Queiroz, os cantores Rui de Mascarenhas e Paula Ribas e a participação de Octávio de Matos.
Esta revista subiu ao palco no Teatro Monumental, mas outros trabalhos da sua autoria foram representados no Parque Mayer, tendo Rui Andrade escrito também diversos textos para séries de humor televisivas.
A sua última participação teve lugar em 2000, quando os actores Morais e Castro e Luís Aleluia adaptaram para televisão as aventuras da dupla de detectives "Patilhas e Ventoinha", celebrizada na rádio, e pediram a Rui Andrade que escrevesse os novos episódios.
Rui Andrade, nascido em 1921 em Salvaterra de Magos, morreu hoje, no Hospital de Santa Maria, Lisboa, onde as cerimónias fúnebres vão ter lugar quarta-feira, cerca das 11:00, no centro funerário Santa Joana Princesa, em Alvalade.

**Desde já os Meus sentimentos á Familia Andrade que tão bem tem tratado do estabelecimento Cabana dos Parodiantes em Salvaterra de Magos.
**Ass: um dos elementos da Associação dos Amigos da Cabana.
HSF.
Lusa/Fim

Um livro, um Mundo de Conhecimento



Acabei à dias de ler o "Codex 632" do José Rodrigues dos Santos (sim o da RTP), confesso que foi uma (muito) agradável surpresa.
Não era muito de ler romances, não tenho formação ao nível de Línguas, Filosofias, Literaturas ou afins, mas de Tecnológicas, logo o romance para mim era, até à 2 anos, um tipo de literatura que não ligava pêva. Mas a minha esposa fez-me o favor de me "enganar" com um romance pensando eu que seria uma livro técnico e ofereceu-me "O Código Da Vinci" e abriu o apetite (obrigado AMOR).
Mas isto tuda para dizer o seguinte:
O Codex, além de ser um romance de investigação histórica, anda à volta da vida de Colombo, tem capítulos que referem (superficialmente nas de modo a abrir o apetite) à Filosofia Kanteniana (acho que é assim que se diz) e de Foulcault, ao Misticismo Neo-Gótico da Quinta da Regaleira em Sintra, à Cabala Judia e ao Gótico Português, mais conhecido pelo estilo Manuelino existente, entre outros, no Convento de Cristo em Tomar.
Ou seja, de uma assentada este livro foca, não só, aspectos de natureza histórica mas também do aspecto esotérico que envolve todo o mistério dos Templários (ou Ordem de Cristo), da Cabala, da Filosofia.
A mim, e pessoalmente falando, abriu-me o apetite para estas áreas de Conhecimento.
Por isto tudo, Muito Obrigado José Rodrigues dos Santos.

Amaro Cantador

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Respigação






Para pensar...
A foto corre na Net, mais com sentido de troça que outra coisa. Basta o título 'Havaianas em África'. Mas estes pés duros, maltratados, calçados em xanatos feitos de garrafas de água, contam muita coisa. Mais para além da miséria...Falam de uma coisa que no 'Primeiro Mundo', dominado pelo consumismo fácil, está esquecida: a reciclagem e re-utilização de materiais...
"A primeira vez que tive séria consciência do nosso desperdício foi há cerca de uma dezena de anos, na selva central de Guatemala. Estava na estação arqueológica de Tikal, num conjunto de trabalhos inseridos no Programa Mondo Maya, promovido pela a União Europeia para a investigação e a criação de infraestruturas naquela zona. Partilhava o meu bungalow com um arqueólogo local. A dada altura, usei qualquer coisa em conserva e preparava para deitar a lata no lixo, quando o homem me a pediu: .E aí, realizei a importância das coisas quando, para nós, 'civilizados', já não têm utilidade...Um passo seguinte e importante, foi sem dúvida o belo filme de Agnes Varda, 'Os respigadores e a respigadora'. Uma interessante entrevista foi publicada na indieWire (embora apenas disponível em Inglês). O filme, entre o documentário e o cinema, é uma proposta da respigação como estética de vida. Para pensar..."

Texto escrito por alguem que esteve em Guatemala.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Vamos sambar nesta passagem de ano...

http://www.orapois.com/br/arquivos/06162005170419937g.swf

Amor e uma Cabana ( a dos Parodiantes)

O AMOR!...

Amor não é só o sexo
Entre o côncavo e o convexo
É também sentir no peito
Um coração a vibrar
Po outro, que diz amar.
Isso é que é Amor perfeito!

É sofrer com o sofrimento
De alguém que sinta o tormento
Que a vida, por vezes, é.
É dar de si quanto tem,
Quando preciso, a alguém
´Steja longe, 'steja ao pé!

É dar a vida por vida
Mesmo que haja a fé perdida
De esse alguém corresponder.
É sofrer de ansiedade,
É matar-se de saudade
Se esse alguém não vier

É querer viver mais e mais
Com querer e força reais
P'ra aumentar o seu valor
Para ajudar quem se ama
Sem 'star a pensar na cama
Isso sim, isso é AMOR!!!



segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Feliz Natal!








Feliz Natal a todos.
Tentem comentar os artigos deste blog e divulgá-lo aos vossos endereços. De contrário fica um blog tristinho sem partilha.
Já que é Natal!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

Porto Doce Porto...

A minha estadia no Porto foi curta mas foi “refrescante”, não só por ter sido em Dezembro mas também por que se trata de outra Cidade.
O Porto quer se goste, ou não, é uma “naçon”, tudo é diferente desde os pontos de espera dos autocarros que além de terem o número do mesmo, têm, também, o destino do autocarro, o que, diga-se de passagem, para quem não conhece o Porto é uma grande ajuda. Mas também há as estações de comboios, das duas que vi, a de São Bento e a da Campanha, são lindas, denotando o estilo Romântico da arquitectura da época.
Pude passar, também, pela Casa da Música que, à noite, é impressionante, não só pela arquitetura como pela sua localização geográfica, à beira da (magnífica) Rotunda da Boavista que “margeia” a avenida com o mesmo nome. Não me chocou. Está implantada numa zona descampada, livre de relevos e edifícios, o que faz com que a silhueta se esbata na zona.
Espero lá voltar um dia…

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

BEAUTIFUL !

http://www.edu-negev.gov.il/tapuz/motytp/atar/scripta/games/boleroclip.htm



Com o bolero de Ravel......
Para acalentar a alma nestes dias frios de inverno...


PS: clique em F11 para aumentar a tela.

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Uma cabana...


Uma cabana onde se reúnem amigos ou não..., onde nos sentimos acolhidos pela sua decoração que lembra a de "cafés de outros tempos" mas, sobretudo, nos aquece a madeira e nos acolhe a sua iluminação suave. Ali nos rencontramos com o calor do próprio lugar. Ali gosto de ficar a rabiscar nas toalhas da mesa, nos guardanapos, a ler o jornal ou revista ou ainda, simplesmente, a olhar para dentro. Às vezes a conversar mas confesso que gosto muito de ficar em silêncio com o lugar. De poder abarcá-lo sem prender o olhar.........



http://linguasdegato.blogspot.com/

Um convite a visitar o nosso blog (de 4 profs de línguas da escola secundária de salvaterra de magos)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Cafés cultura


A cultura nos cafés nas grandes cidades europeias foi primordial para a expressão livre e espontânea de poetas, escritores, artistas plásticos, pensadores e agitadores políticos. Alguns movimentos e vanguardas artísticas encontraram no espaço público de um café, o palco ideal para a promoção e debate de ideias de cariz universal.
Em Portugal, esta tendência não foi excepção: o mais antigo é o café Martinho da Arcada, na Praça do Comércio, em Lisboa. Aberto desde 1782, pelas tertúlias de intelectuais e artistas, tem vivido, até aos dias de hoje, as convulsões políticas que assolaram a capital. Fernando Pessoa frequentava este café como sua segunda casa e escreveu parte da sua obra poética numa das suas mesas.

Também o café Nicola, no Rossio, tem tido um papel relevante no convívio daquilo que o poder considerava uma “fauna” artística e política, proporcionando a figuras carismáticas a divulgação de ideias revolucionárias. Barbosa du Bocage foi o seu mais fiel cliente, em plena época do Romantismo. Ainda hoje, este café, se encontra em actividade e procura manter uma ambiência setecentista na sua decoração.

Já no século XX, em 1905, surge em Lisboa a Brasileira do Chiado, que começou por ser uma loja de venda de cafés e outros produtos do Brasil. Três anos depois, deu lugar a um café luxuoso, onde a elite de Lisboa passeava a sua vaidade saboreando uma "bica" (nome dado pela clientela da Brasileira ao seu café). Os Modernistas e Futuristas relacionaram-se com este estabelecimento e foi nele que se arquitectou a famosa publicação "O Orfeu". Nomes como Pessoa, Almada Negreiros, Santa Rita Pintor e Mário Sá Carneiro deram fama e irreverência à Brasileira do Chiado, sendo, actualmente, local de peregrinação de turistas do mundo inteiro.
Na invicta cidade do Porto ergue-se um dos mais belos cafés do mundo – O Majestic, ao gosto arquitectónico da "Belle Époque". Amadeu de Souza Cardoso, Teixeira de Pascoaes e José Régio eram seus ilustres frequentadores, fomentando tertúlias políticas e ideológicas que muito viriam a enriquecer a vida cultural do Porto. Restaurado em 1994, o Majestic é, ainda hoje, palco privilegiado de eventos culturais.