

Cabana dos Parodiantes, um café repleto de luz, onde cada cliente que entra é uma lampadinha incandescente !!



Desde o ano passado que não tinhamos as nossas Conversas da Cabana, um momento de cultura e de amizade que a Cabana dos Parodiantes faz questão de ter todos os meses, pelo menos enquanto houver resistentes que não se deixem vencer pelos sofás das suas salas.
Vamos poder ter a presença de Pedro Barroso, um cantautor que continua a resistir contra o marasmo em que vivemos. A sua mensagem é o grito dos utópicos que continuam a acreditar no lado mais nobre do ser humano.
Eu acredito e penso que voçês também.
Então venha partilhar connosco na próxima 5ª feira, 22 de Janeiro 2009, em mais uma tertúlia na Cabana dos Parodiantes.
A Cabana dos Parodiantes está de parabêns !!
Foi no ano de 1973 que a Cabana abriu as sua novas portas. dezenas de convidados conhecidos do mundo do teatro, rádio e do desporto, assim como clientes do antigo estabelecimento " Sol da Lezíria ", foram os previligiados a conhecerem o belo café dos anos setenta, que ainda hoje permanece intacto. Figuras como o Camilo de Oliveira, Óscar Acúrcio, Ivone Silva, Raul Solnado, António Livramento, J.Pimenta a equipa dos Parodiantes e o padre Diogo, entre muitos, que emitiu um belo discurso e benzeu a Cabana.
Longa vida á cabana dos Parodiantes e até daqui a 35 anos

AMIGOS DA CABANA
AMIGOS DA TERRA
AMIGOS DA HUMANIDADE
AMIGOS DO AMIGO
ESPERO QUE ESTA QUADRA NATALÍCIA SIRVA DE INSPIRAÇÃO PARA QUE TODOS NÓS, PARA VARIAR, SEJAMOS AMIGOS DESTA IDEIA REAL QUE SE CHAMA HUMANIDADE JÁ A PARTIR DO 1º DE JANEIRO DO ANO QUE VAI NASCER.
SÓ DANDO PODEMOS RECEBER.
SEJAM FELIZES !!!!
VOTOS DA CABANA DOS PARODIANTES

Ainda na ressaca das eleições mais mediáticas do planeta, aquelas que sendo só exclusivas para americanos naturalizados, param os eleitores do mundo inteiro, o Cabanito, puto atento e curioso, preocupado com o estado do mundo, participou com entusiasmo na vitória do Barack Obama. Ora vejam só, o desenho é mesmo do Cabanito.
Nelson Santos , com a sua arte de bem desenhar o lado cómico que reside em todos nós, contribuiu assim para mais uma noite bem divertida na Cabana dos Parodiantes.
Foi na passada sexta-feira, 14 de Novembro de 2008.
visite : http://karikamania.no.sapo.pt/

Paulo Gonzo não sabia ao certo para o que vinha; ele de facto foi convidado pela artista plástica Paula Cruz, afim de ser homenageado com três grandes telas a preto e branco, com o seu rosto retratado nas três fases de sua vida. O que ele não sabia é que, á sua espera, estavam cerca de sessenta pessoas conhecedoras da sua obra.
Na mesma mesa que o Paulo e a Paula, na tarefa de os apresentar, estava o regressado José Peixe, acabadinho de regressar da América Latina, onde trabalhou como correspondente da Lusa durante dois anos.
Houve espaço para a sentida homenagem da pintora, que deixou escapar a confissão de que desde a sua adolescência a música de Gonzo tem sido o farol que tem iluminado a sua vida.
Daí se compreende o que levou Paula Cruz a arriscar para a disciplina de Pintura 4º ano da Faculdade de Belas Artes, a provocação de executar uma série de telas com o rosto de Paulo Gonzo.
Gonzo, emocionado, agradeceu a homenagem e rejubilou quando a artista lhe ofereceu um quadro á sua escolha, ao que este escolheu o correspondente á fase da sua juventude.
Soubemos pela voz do Paulo Gonzo, que nem sempre o seu percurso de compositor, músico e cantor, foi um mar de rosas. Desde que começou, nos longínquos finais de setenta, como cantor dos Go Grall Blues Band, o caminho foi sempre o remar contra a maré. Quando todas as bandas se entretinham a imitar os seus ídolos anglo-saxónicos, com maior ou menor mestria, Gonzo e seus cúmplices, teimavam em desenvolver um som fora de moda, baseado na tradição dos escravos negros do Delta de Missisipi, nos Estados Unidos da América - o blues.
Paulo chegou mesmo a viver uns tempos no novo mundo, ensaiando, tocando e cantando com nomes e bandas norte americanas bluesly. Aí, terá ganho experiência e rodagem suficiente, para regressar com força a Portugal para iniciar a sua carreira a solo. Foi com " As Pedras da Calçada ", em 1984, que Alberto Ferreira Paulo ( seu verdadeiro nome ) teve o seu primeiro grande êxito - Jardins Proibídos -. A partir daí, nunca mais parou de fazer belas canções.
" De cada vez que sai um álbum, o risco é todo meu, pois sou eu que escrevo e componho. Tenho que ter uma grande lucidez para não falhar, pois tenho vinte pessoas que dependem directamente de mim para sobreviverem. " confessou Paulo Gonzo.
Alguém na assistência perguntou, se ele quando grava um álbum têm a noção exacta que determinada canção vai ser um êxito, ao que ele respondeu que até agora a sorte não o tem faltado, mas, só com muito trabalho e dedicação se consegue vencer, disse ainda.
O cantor desmistificou a ideia que o estilo blues só transmite ideias tristes. " eu posso ouvir um blues e apetecer-me dar uma queca logo de seguida " disse sorrindo, " ou posso sair á rua e abraçar toda a gente..." continuou. Segundo ele, a sua música é para todos os estados de espírito, todas as idades e todas as raças...é universal.
O climax da noite chegou, quando o gerente da Cabana apareceu como por magia, com uma viola, por sinal desafinada e perguntou alto e bom som: " Alguém se esqueceu desta viola...por acaso sabem de quem é...? ". O pessoal percebeu e ouviram-se gargalhadas. O Paulo não se riu mas entendeu o que lhe esperava. Enquanto este afinava o instrumento, alguém gritou - deste-me quase tudo! - ao que o moderador perguntou : " Paulo, vais dar quase tudo a esta gente ?, resposta imediata do cantor : " Essa não, que o meu manager não me deixa, mas, vou-lhes dar uns blues dos bons...! . De facto tocou, cantou e encantou com a sua voz de cama, ( comentário de um cliente ), dois apetitosos blues, puros e duros, pondo sessenta almas ao rubro.
O resto já faz parte da história. Quem presenciou tambêm ficou com a sensação que fez história. Foi uma noite memorável, plena de magia, talvez a melhor das 31 conversas da Cabana já realizadas, a seguir á noite com o Ruy de Carvalho, claro, que essa foi sublime.
Após muitas fotos, autógrafos e agradecimentos, Paulo Gonzo entrou no automóvel negro que o trouxe a Salvaterra de Magos. Ao volante, o amigo de longa data, que o acompanha para todo o lado, segredou-me ao ouvido que, nunca tinha presenciado o Paulo Gonzo a tocar em público, sem ser para espectáculos. Coisa inédita, então, e logo na Cabana.
pode ver e ouvir Paulo Gonzo na Cabana clicando neste link do YOUTUBE, em baixo
http://br.youtube.com/watch?v=fmOGilqTHw4
Grande noite na Cabana dos parodiantes com a presença do cantor Paulo Gonzo, já
nesta 2ª feira, 10 de Novembro, pelas 22 horas.
Vamos inaugurar uma exposição da pintora Paula Cruz " Blues Night - homenagem a Paulo Gonzo ".
Queremos conhecer um percurso de vida que começou com o grupo Go Grall Blues Band, nos anos 80 até aos dias de hoje, com uma fantástica colecção de canções que toda a gente conhece e reconhece.
Quem sabe se o Paulo Gonzo nos fará uma surpresa, cantando umas das suas blues melodias.
* uma das pinturas de Paula Cruz que vão ser expostas ( 1,85 x 0.85 m )

Fazer a introdução á " Conversa " de hoje, é para mim uma gramnde satisfação e paralelamente um grande incómodo. Como apresentar alguém tão imensamente grande? Vale-me a grandeza humana de Aristides de Sousa Mendes (ASM); cito o nome, calo-me e está tudo feito!
Mas como resistir a não falar? Daí que não me contenha a um ou a dois apontamentos que visam tão só apelar à nossa reflexão.
aristides foi dos poucos capazes de se recusarem a cumprir as desumanas ordens que violentavam o seu caracter humanista. Fez tudo o que pode para salvar vidas.
Por força do seu humanismo e sentido cristão, foi perseguido e abandonado.
Perseguido pela ditadura salazrista que lhe não perdoou o humanismo e consequente desobediência. Ditadura que aceitou os agradecimentos enderessados pelas democracias por causa das vidas salvas pelo cônsul desobediente. que hipocrisia!
Nestes tempos em que, desavergonhadamente se procura branquear o salazarismo, será bom que estejamos atentos às realidades.
Atente-se ao que, o seguramente mais activo detergente do salazarismo, disse nas suas memórias sobre ASM: o cônsul vendeu com a cumplicidade de policias do regime, vistos falsificados a emigrantes com dinheiro - sem comentários.
Abandonado! ASM era profundamente católico, contudo a sua igreja, que estava de mão dada com o regime, abandonou-o! Curiosamente a mesma igreja que anos mais tarde canonizou o autor desta pérola de pesamento inserida em missiva a um membro do seu Opus Dei: Hitler não deve ter sido tão mau como dizem. Não pode ter matado 6 milhões. Não deve ter passado dos 4 Milhões, Josemaria Escrivá de Balaguer.
Pode-se dizer que finalmente a memória de ASM está reabilitada e o cônsul já ocupa o lugar que lhe é devido? Gostaria de pensar que sim, mas tal não me parece. Nem a coumuidade Judia nem a democracia ainda o colocaram no pedestal que lhe é devido.
Cabe a cada um de nós exigir que se derrubem os ídolos com pés de barro e que se homenageem os nossos verdadeiros heróis.
Silvestre Pedrosa, moderador
A noite começou um pouco mais cedo que o habitual; a oradora principal, estava debilitada com uma constipação, e desejava chegar cedo a Lisboa, cidade onde vive desde sempre. Maria Barroso, actriz de formação que, por ser casada com Mario Soares, teve que abraçar a política por consequência, veio representar a Fundação Aristides de Sousa Mendes, na qualidade de Presidente, porque seria de Aristides de Sousa Mendes (ASM) que a noite iria ser feita.
Os dois netos de ASM ainda não tinham chegado á Cabana dos Parodiantes, pois tinham-se comprometido a vir tomar um café e um barrete connosco. Mesmo assim, deu-se início á tertúlia, com apenas 16 pessoas. Não era para menos, faltava meia hora para as 22 horas e os habitués das conversas da Cabana veêm á própria da hora.
A antiga primeira dama de Portugal, falando de pé e rejeitando o microfone, iniciou a sua prelecção, fazendo uma descrição do que foi o calvário dos judeus alemães, desde que Adolf Hitler subiu, á força, ao poder do Reichstag. Milhares de refugiados judeus fugiram para essa Europa fora, saltando fronteiras germânicas, mas a maioria haveria de morrer em campos de concentração, em condições tão mórbidas que, ainda hoje, nos é difícil conceber tal horror.
Foi debaixo dos ecos desse horror que três dezenas de milhar de judeus pediram auxílio ao cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, afim de que este lhes concedesse vistos para entrarem em Portugal e aí escaparem a morte certa. Contou a oradora, que o cônsul teve a percepção exacta, antes de decidir carimbar os vistos, que iria perder tudo o que tinha construido até então. Sabia que iria ser despedido e perseguido até á sua morte. Terá reunido mesmo com a familia e comunicado com pesar que, depois daquele acto, nada seria igual e, possivelmente, teriam tambêm eles que fugirem e se refugiarem noutros países. Mesmo assim, o seu enorme coração humanista não conseguiu resistir ao drama daquela gente e desobedeceu a Salazar. Durante três dias e duas noites, Aristides e dois dos seus filhos, passaram vistos a uma multidão que não arredou pé durante vários dias, acampando dentro do consulado e nos jardins, assim como nas ruas próximas. Não satisfeito, ASM terá se deslocado a Bayonne e Hendaye, e carimbado mais uns milhares de vistos, perante a passividade dos funcionários dos respectivos consulados em França. Maria Barroso, aproveitou a deixa e pintou-nos o retrato de um Portugal cinzento e sinistro, país esse que ela viveu e que tambêm ela comeu o pão que o diabo amassou, assistindo á perseguição política do regime ditadorial ao seu marido, Mário Soares.
Já com uma hora de duração e com algumas questões postas pelos convivas, sentia-se que pouco mais haveria a dizer sobre o tema. Faltava o testemunho de alguém que tivesse vivido aqueles acontecimentos, experiênciado bem de perto as consequências de tal acto desobediente numa sociedade vigiada bem de perto pela ditadura do Estado Novo. Eis que a porta automática abre e surgem dois vultos bem vestidos, de recorte clássico, aparentando estarem perto dos sesenta anos. Fizeram um compasso de espera e logo Maria Barroso esboçou um sorriso : "São os netos de Aristides...! Mais vale tarde do que nunca e " o combate foi salvo pelo gongue! ". Feitas as apresentações de António de Sousa Mendes e Álvaro de Sousa Mendes, esperava-se agora os verdadeiros testemunhos.
Alguém perguntou, como foi crescer e viver toda a vida com o apelido de Sousa Mendes. Álvaro logo respondeu que tem sido um motivo de orgulho indescritível e simultâneamente uma mágoa constante por toda a revolta que o seu pai sentiu e por ainda hoje não ter sido feita a justiça devida à memória do seu avô. António sempre se habituou á ideia de que esse assunto em casa de sua mãe, irmã de ASM, ser algo interdito, votado ao silêncio.
Sobre o verdadeiro paradeiro dos restos mortais do corajoso cônsul, uma senhora presente, afiançou quase ter a certeza que se encontram em França, perto de Paris, teoria essa que foi negada ainda por Maria Barroso, no decorrer da primeira parte da conversa, e duplamente posta de parte, já no fim, pelos descendentes de ASM.
Em relação á polémica lançada pelo historiador, antigo ministro da Educação de Marcelo Caetano, José Hermano Saraiva, no concurso dos Dez Mais Portugueses, os ânimos esquentaram um pouco. António de Sousa Mendes disse achar completamente ridículo a teoria do historiador de que o verdadeiro obreiro da vinda dos 30 mil judeus para Portugal ter sido os Caminhos de Ferro de Portugal, quando esta companhia se limitou a transportar os refugiados que pagaram os seus bilhetes. Coube á Policia de vigilância e defesa do Estado - PVDE, proceder ao controlo na fronteira de Portugal com Espanha, dos passageiros e em colaboração com os aliados, colocá-los em diversos pontos do país, em segurança. Tratou-se, segundo António, de uma manobra desesperada para desacreditar a opinião pública do valor de ASM. Álvaro concretizou, que ninguém na familia quis tirar, nunca, proveitos ou louros, da proeza do seu avô, nem irão precisar de se justificar, pois a história impõe-se na História e a verdade virá ao de cima, naturalmente. A prova disso mesmo, está, segundo António de Sousa Mendes, na criação do Museu de António de Sousa Mendes, em Cabanas de viriato, antiga residência da familia Sousa Mendes.
Silvestre Pedrosa, moderador desta " Conversas da Cabana ", representante da Casa da Europa do Ribatejo ( colaboradora desta tertúlia ), deu por terminada mais uma noite sem televisão, com cerca de cinquenta tertulianos ávidos de conhecimento e espírito de partilha.
A Cabana dos parodiantes, proporcionou de uma forma simples, que se fizesse justiça a Aristides de Sousa mendes.
O mundo era mais justo se houvesse um Aristides em cada esquina.
Agradecimentos á Escola Profissional de Salvaterra de Magos, pelo empréstimo do material multimédia.

Esta notícia é dirigida a todos aqueles que coleccionam o conhecimento e amam a liberdade!
Na próxima 5ª feira, dia 9 de Outubro, vamos receber a Fundação Aristides de Sousa Mendes. Virá representá-la a sua presidente, dra Maria Barroso e o neto do próprio Aristides, Álvaro de Sousa Mendes.
Vai ser a primeira Conversas da Cabana dedicada aos " Heróis da liberdade ", outras duas tertúlias virão, homenageando outras duas figuras portuguesas, sobejamente conhecidas do nosso imaginário.
Sobre esta noite de 9 de Outubro, posso vos dizer que será certamente inesquecível:
- devido á curiosidade que Aristides de Sousa Mendes provoca em todos aqueles que vão conhecendo a sua grandiosa proeza de salvar 30 mil judeus de morte certa nas mãos dos nazis, na 2ª guerra mundial; contribuindo para isso a sua posição de consul em França e a sua incomensurável coragem.-
- devido á qualidade dos dois oradores, que dispensam apresentações.
Esta tertúlia, que se adivinha aliciante, só será possível, graças á colaboração da Casa da Europa do Ribatejo.

Adivinha-se uma grande recessão a nível mundial, com o império capitalista dos Estados Unidos a desmoronar-se como um castelo de cartas. Depressa teremos em Portugal e no resto da Europa, as consequências dessa hecatombe. Uma das medidas que os homens tomam nestas ocasiões, é resolverem ficar em casa, por falta de pilim para os seus vícios.
Com a televisão que temos, nivelada por baixo, no que diz respeito á qualidade dos seus programas, espera-se para Portugal, um aumento substâncial da natalidade, já em 2009.
Abram mais maternidades !! Que o digam os Parodiantes de lisboa com esta capa de 8 de Março de 1962, respeitante ao nº 60, da revista Parada da Paródia. Futuristas de primeira água.
Talvez o mais interessante de referir sobre a noite do último encontro das “Conversas na Cabana”, em que os convidados foram a companhia de teatro “Fatias de Cá”, seja que a conversa passou a discussão, no bom sentido, entenda-se, sobretudo entre os elementos do público e não ficando limitada aos elementos representativos da companhia, acontecendo assim o verdadeiro formato de tertúlia, trocando opiniões e colocando questões.
Não se pode dizer que Carlos Carvalheiro, o mentor do projecto dos Fatias e Cá, tenha respondido directamente às perguntas que lhe foram colocadas mas, como excelente contador de histórias e comunicador que é, falou sobre a própria história evolutiva do Teatro desde a mais remota época e sobre as suas características até à época vitoriana de Shakespeare. Penso que essa informação foi importante e a forma como foi comunicada acabou por estar contida no que chamamos Teatro, uma vez que a sua definição talvez mais simples mas não menos verdadeira é “contar uma história”!
Perguntou-se porque não existe de momento um grupo de teatro em Salvaterra. Justificou-se, justificaram-se as pessoas, justificaram-se as vidas individuais, a proximidade de Lisboa, os filhos, as disponibilidades, a televisão, as rotinas, as idades. Confessou-se a maioria que não vão ao teatro, nos porquês disso, discutiu-se se há ou não mau teatro, sem se dar por isso discutiu-se teatro profissional e amador, bom e mau, comunicação, objectivos, conceitos, formas de divulgação, dinâmicas financeiras, tudo isto em relação ao Teatro, atingindo naturalmente aquilo que mais procuramos no Teatro: Comunicação, reflexão e diversão.
Obviamente não poderemos afirmar que todos estes temas tenham sido exaustivamente discutidos. Faltaram muitas pontas, conclusões, saltou-se de tema em tema, mas todos sabemos que o tempo é sempre curto para estas coisas e afinal não nos compete arranjar soluções para tudo, antes questionar, reflectir e saber que cada um de nós pode transformar alguma coisa na sua esfera de acção; é para isso que servem as trocas de impressões e experiências.
Falámos sobre o delicado tema da formação cultural, começando pelos mais pequenos, da sensibilização que urge ser feita sob pena da Cultura se transformar definitivamente entre o popular comercial e o elitismo puro. Ainda, foi explicado que o Teatro é elitista por natureza na nossa sociedade, já que somente 1% da população o consome.
Poderíamos organizar mais umas quantas “Conversas na Cabana” à volta de todos estes temas, aprofundá-los, mas não sei se valerá a pena. No fundo o que interessou foi termos levantado tantas questões tão importantes, o importante é que cada um dos presentes tenha levado para casa alguma matéria para reflectir para além da sua opinião porque, como comentou Carlos Carvalheiro no final quando lhe perguntei porque não tinha ele respondido directamente às perguntas, “as pessoas tinham muita necessidade de falar e dar as suas opiniões”.
É um sinal dos tempos que passamos; talvez tenhamos de ouvir um pouco mais e opinar um pouco menos, talvez tenhamos de confiar na experiência do próximo, talvez tenhamos de pensar e questionar, começando por nós próprios, deixando de olhar para nós próprios. Penso que foi isto que as gentes dos “Fatias de Cá” fizeram nessa noite. Ouviram mais do que disseram, também eles fizeram afinal perguntas, colocaram questões. É claro que poderemos sempre fazer outras leituras sobre este comportamento.
É verdade que os “Fatias de Cá”, depois de lutas e brigas durante tantos anos, foram conseguindo posições mais confortáveis com os poderes locais, ocuparam espaços, construíram uma rede muito para além da sua Tomar natal. Talvez por isso não seja o momento para lhes perguntar se os seus objectivos foram conseguidos ao fim destes anos de actividade, ou quais as relações com os vários poderes e interesses por esse país fora. Mas temos de compreender que essa confiança tem também de ser construída, os interesses têm de ser discutidos e trocados, os objectivos têm de ser comuns.
O que mais importa afinal é que a noite esteve boa, ouve discussão da boa e lá estivemos para ali a contar histórias, a viver, a comunicar.Espero que se tenham divertido também. Desse todo vai nascendo a Arte e Cultura.
Quim Preto, moderador da tertúlia



Era assim na década de sessenta, em lisboa. Os alfaiates não tinham mãos a medir. Certos e determinados senhores, bem posicionados na vida, frequentavam os ateliers de costura, afim de fazerem fatos á medida. Coitados dos pobres alfaiates, sujeitavam-se a tirar medidas, vezes sem conta ao mesmo cliente, sem saberem porquê.
Talvêz uma pequena dieta, podia resolver o problema.
Estranhos mistérios estes de ser alfaiate !
(o cartoon acima pode ser visto em tamanho natural no grande painel humorístico que ocupa parte do espaço da Cabana dos parodiantes, em Salvaterra de Magos )
Ruy e Zé Andrade, com Raul Solnado no estúdio de gravação.Aproveitando o 20º aniversário do terrível incêndio no Chiado, na cidade de Lisboa, vou então contar uma situação que os Parodiantes de Lisboa viveram, precisamento nesse dia.
Os Parodiantes estavam a gravar no seu estúdio, o programa " Graça com todos ", que iria para o ar no dia seguinte. O ambiente no 13º andar do edifício do Vává, era tenso e triste, como em todos os locais onde houvesse lisboetas e portugueses, pois tratava-se do fim do coração da capital de Portugal, tal como era conhecido desde sempre. De uma acentada, os armazéns Grandella e do Chiado e toda a zona envolvente, desapareciam nas chamas.
Eram cerca de 11 horas, ou seja, duas horas para o início do programa na Rádio Comercial dos Parodiantes de Lisboa, quando a dactilógrafa entrou aos gritos no escritório do Ruy Andrade. O caso não era para menos: ela lembrou-se ter passado á maquina de escrever, no dia anterior, uma rúbrica onde o presidente da Cãmara de Lisboa de então, Cruz Abecassis, tinha ateado fogo á cidade e festejava o feito, tocando a sua harpa nas muralhas do Castelo S.Jorge, lamentando-se pelos alfacinhas não o compreenderem e não lhe darem o devido valor ( tal como o imperador romano Nero em Roma ).
Tratou-se, sem dúvida, de uma coincidência terrível, e essa peça fazia parte do programa que iria ser escutado dentro em breve, em todo o país. Como havia sempre uma bobine suplente actualizada, logo os Parodiantes se deslocaram á rua Sampaio e Pina para fazerem a troca.
Conseguem imaginar, se esse programa fosse para o ar, com o incêndio na baixa de Lisboa em actividade e todos os dramas inerentes em ferida aberta, conseguem imaginar o impacto que teria na opinião pública ?
Puro humor negro ou futurismo catastrófico ?




AS BOTAS DO MANEL GATO
Nos dias que passam persistem apenas dois dos cerca de 40 sapateiros que existiam em Salvaterra de Magos, nos últimos anos da primeira metade do século passado.
As oficinas destes artesãos eram pequenos espaços, à entrada das suas habitações, sendo muito poucos os que tinham outro sitio para laborarem.
Alguns na rua, tinham junto da porta, um corvo, ou gralha que, amestrados diziam alguns palavrões, daquelas “azedas” que a clientela, ou quem passava gostava de ouvir dizer – era uma graça!
Entre eles, havia duas figuras que andavam na boca do povo, pela sua originalidade. O Mestre Vital e o Manuel Gato.
O mestre-Vital, tinha a sua oficina na rua Direita, com a Trav. da Amoreira, era um homem alto, magro, mas já vergado pelo peso dos anos. Era solteiro, os seus últimos tempos de vida, passou-os junto dos seus primos, a família Lopes Rosa.
Vivia a causa republicana em Portugal, com grande convicção, pois desde muito novo, que se fez seu partidário, assistindo às aventuras e desventuras do seu percurso no país.
O seu entusiasmo era tal, que por volta de 1955, ainda dava azo a que rapazio de idade escolar, o incomodava à porta da oficina.
Oh, mestre Vital ! Quando chegam as tropas do Gomes da Costa !
Tirando os olhos do calçado que tinha entre-mãos, em cima dos joelhos, a resposta vinha serena: Olhem! estão a chegar às Cavalariças !!
Despachem-se depressa, não cheguem lá tarde !!
Um pequeno banco corrido de madeira, encostado à parede, dava para seis pessoas e um pequeno armário já carcomido pelo tempo, sem os seus oito vidros nas duas portas da frente, pois era esquartejada em cada uma, eram o seu mobiliário.
Era nas prateleiras do móvel, que guardava uma infinidade de pequenos instrumentos de trabalho como: os Bucetes para brunir a sola, os Costas Viras, as Cevelas de meia cana, a Régua de afiar as facas, a Cera para passar os fios de coser, a caixa das agulhas, as grosas e limas, pequenos martelos e alicates..
O móvel, apresentava-se esconso num dos lados, pois estava gasto um dos seus quatro pés. Para que não sofre-se qualquer acidente da clientela, no cimo deste, guardava o Candeeiro de vidro, a petróleo, que servia para aquecer os bucetes.
O Mestre Vital, era de uma disciplina desusada, pois para tirar ou colocar qualquer peça no armário, tinha de abrir sempre a fechadura da porta., facto notado que deu brado durante anos.
Por ali paravam durante o dia, um grupo de velhos amigos, que usavam de malandrice, sabendo da sua grande paciência Previamente combinado, um ou outro dava um pequeno encontrão no móvel e lá vinha o candeeiro ao chão. O mestre-Vital, recomendava " Tenham mais cuidado " e, de imediato tirava algumas moedas do bolso do colete, encarregando um dos presentes em lhe fazer o favor de comprar um outro candeeiro, na loja do Gaspar Rapitalho, junto à câmara municipal.
Os presentes, lamentavam o “acidente”, logo se solidarizavam, quotizando-se pagando o prejuízo, ficando o mestre-Vital muito agradecido e, enaltecendo o gesto praticado – era uma boa acção dos seus amigos.
Quando o candieiro, estava no chão, aquecendo o bucete de ferro, o próprio Gaspar Rapitalho, seu velho amigo, deixava cair um pingo de cuspo, na fita que estava a arder, ficando esta como a soluçar (devido ao contacto da água com o petróleo) até que se apagava. O Mestre, logo dizia:
Óh Gaspar, estão-te a vender o petróleo falsificado, deves reclamar !
O outro que deixou fama, foi o Mestre-Manel Gato, tinha a sua oficina em casa, lá para os lados da Fonte do Arneiro. Era um homem que rondava os 50 anos, mas muito brincalhão, uma dos seus diabretes, foi o caso das botas de um cliente.
Naquele tempo, a população da vila, era maioritariamente rural e muitos vinham a casa, só de quinze em quinze dias. De sábado ao cair da tarde até domingo à noite, altura em que regressavam ao campo.
Por isso, o dia de segunda-feira, era dia de sapateiros (dia de folga).
O calçado, especialmente a bota de homem, era de um cabedal ensebado e com cardas na sola., era comprado em dia de feira anual, no mercado de Marinhais, ou nas lojas de fancaria da vila.
Um certo dia, um cliente levou um par de botas para o mestre, pôr meias solas e cardá-las. O tempo combinado para o arranjo, há muito estava ultrapassado, os emissários enviados pelo cliente, passaram pela esposa, filhos e amigos.
A resposta era sempre a mesma. Estão a andar!
Certo dia, o dono das botas, encontrou o sapateiro, numa taberna existente junto da Igreja Matriz, com elas calçadas e, este com uma calma de gelar, respondeu ao reparo:
Rapaz, eu sempre disse a todos, que as botas estavam a andar, não viram, como tu viste, não tenho culpa, são ceguetas! Vai logo à oficina que estão prontinhas!
Assim, ficaram famosas as botas do Manel Gato.
*****
* Cavalariças: o cruzamento na EN 118 (Santarém/Coruche)
* Gaspar Rapitalho: Gaspar Maria Alexandre
José Gameiro

Ademar José Gevaerd, no alto dos seus 1,90 cm, vindo directamente do Pantanal, sua região natal, no Brasil, para Portugal, Salvaterra de Magos, Cabana dos Parodiantes, deu-nos uma lição bastante lúcida sobre aquilo em que ele acredita; ele e muitos milhões de habitantes deste pequeno planeta de um universo tão vasto quanto ilimitado - o fenómeno OVNI.
Seria uma pretênsão muito grande e uma visão bem pequena, pensarmos que estamos sós neste espaço infinito, feito de estrelas e planetas. Segundo Gevaerd, " O aparecimento de vida extraterreste no planeta Terra é um fenómeno milenar inquestionável que tem sido documentado desde os homens das cavernas. Existem centenas de relatos e documentos secretos que provam o aparecimento de naves espaciais no nosso planeta. Desde 1947 que estes fenómenos se têm manifestado de forma mais intensa, o que significa que várias formas de vida existentes no Universo estão mais avançadas tecnológicamente ". Ao mesmo tempo, o investigador brasileiro tem a presença de espírito para afirmar que, 99% dos avistamento ocorridos são de natureza terreste, ou seja, naves criadas pelo homem, com um grau de tecnologia mais avançada que os aparelhos que sobrevoam o espaço aéreo dos nossos dias. Mas mesmo assim, são milhares de ocorrências, por todo o mundo.
E são esses milhares de fenómenos que Ademar José Gevaerd deseja e exige estudar, em nome da verdade. Só no território do país do futuro (Brasil), decerto esta vida não chegará para que ele possa folhear os milhentos de dossiers acumulados durante as últimas 3 décadas, pela Aeronáutica, Exército e Marinha brasileiros. O especialista, fundador da Revista UFO ( publicação única sobre Ufologia existente no país, com 25 anos de duração, e a mais antiga em circulação em todo o mundo ), da qual é editor, assim como uma série de livros especializados em Ufologia, chamada coleção Biblioteca UFO, hoje com 21 títulos, tem em marcha uma operação intitulada " UFOs - Liberdade de Informação Já ". Essa operação não é mais do que uma campanha de sensibilização junto do governo brasileiro e das altas patentes das 3 forças militares atrás referidas, de modo a que a verdade, seja ela qual for, venha ao de cima, duma vez por todas. Alguma coisa de muito sério esses dossiers encerram para terem sido meticulosamente escritos, desenhados e fotografados por militares.Ademar Gevaerd contou-nos a razão porque tem havido tantas notícias de fenómenos ufológicos no Brasil. Segundo ele, o povo brasileiro é por natureza, gente dada e comunicativa, que não gosta de guardar segredos, logo é natural haver muitos relatos, na qual se destacou o caso Varginha em Minas, a Operação Prato em Pará e outro tantos na Amazonia, que tanta tinta tem feito correr pelos meios de comunicação de todo o mundo.
Alguém perguntou porque razão os extraterrestes não optaram ainda por um contacto mais aberto e directo com a humanidade, em vez de andarem a brincar ás escondidas. O especialista mundial de ufologia, defendeu a ideia de que grau actual civilizacional do homem não garante uma compreênsão e um intercâmbio justo com outras civilizações mais sofisticadas, o que geraria disturbios e conflitos muito graves no nosso mundo.
A importância destes fenómenos dos tais Objectos Não Idêntificaveis, assume tal importância que, segundo Gevaerd, o próprio Vaticano, junto do seu astrónomo oficial, afirma que " a Igreja reconhece plenamente que não estamos sózinhos no universo e defende um procedimento de investigação dos OVNI ".
Durante a sua prelecção de 3 horas, para cerca de 65 pessoas, não faltaram vozes discordantes, que fizeram questão de mostrar o seu cepticismo acerca do tema; assim como houve quem nos desse o seu testemunho de terem visto aparições deste género.
Foi na noite quente de 10 de Julho de 2008 que fui testemunha deste acontecimento não identificável na Cabana dos Parodiantes, em Salvaterra de Magos, eu e mais 65 almas ávidas de conhecimento. Obrigado á Sociedade de Ovnilogia Portuguesa e a Ademar j. Gevaerd pela possibilidade deste Contacto de 1º grau.


